O mateiro e sua dama

Lá no alto da colina, onde o mataram o mateiro
As vozes de agonia, chamam quem passar primeiro.

O mateiro e sua dama, enforcados lado a lado,
Condenados por um crime que não pode ser contado.

O amor desse casal na forca se acabou,
Mas as vozes de lamento o tempo não calou.

No lamento dessas vozes muitos se perderam,
Chamam, gritam e pedem ajuda a quem passa ali primeiro.

O que as ouve primeiro, logo se apavora,
Procuram, mas não acham quem foi vivo outrora.

O mateiro se lamenta sua dama apenas chora,
Se sufocam com a corda que aperta sem demora.

De mãos dadas os dois partiram, mas as vozes deixaram ali,
Amaldiçoando seus carrascos e todo aquele que ouvir.

A. Jr. Pereira

Amantes pela eternidade

Numa noite clara amantes a sós
Suas cabeças confusas
Davam um nó

A lua olhava os dois, que dó
Pequenos perante sua grandeza
Sem saber do destino e suas proezas

Os nós do destino se desatavam
Os cabelos no abraço se misturavam
Perante a lua os dois se olhavam

Num desatino o destino firmou
Sob a luz da lua os dois se beijou
Agora tudo havia mudado

Agora o casal era apaixonado
Não tinham medo, não tinham nós
Não eram estranhos, não estavam sós.

Na noite clara o luar reluzia
A noite virava dia
Um beijo na boca a deixou louca
Era como magia.
O amor que seguiu firmou a verdade
Seriam amantes pela eternidade.

Depois do amor a dor da partida
Só mais um beijo de despedida
Sob o luar depois nos veremos

E mais que amantes nos tornaremos
A luz da lua os enfeitiçou
Com desejo sem fim os amaldiçoou

Noite de lua cheia terão que se amar
Um show para a lua proporcionar
Até que as noites então se esgotem

É o destino dos amantes de sorte
Amar um ao outro pela eternidade
Terão para sempre a mesma idade

Na noite clara o luar reluzia
A noite virava dia
Um beijo na boca a deixou louca
Era como magia.
O amor que seguiu firmou a verdade
Seriam amantes pela eternidade.

A. Jr. Pereira

Amor comprado

A frieza do seus lábios congelou meu coração.
sua paixão não queimava,
mulher frigida de cama gelada.
No vazio de suas promessas concentrei minha ilusão.

Seu amor vale ouro, mas não é bom, é ruim
sua cama é de todos
como uma pista de pouso,
para eles é bom, mas não para mim.

Amor comprado. em dinheiro vivo.
Um amor sem valor.
Uma mulher sem calor.
Um refúgio para fugitivos.

Na ilusão de uma fuga te dei meu coração
e como fez com tantos outros, você apenas o quebrou.
Não sabe amar, isso a vida lhe tirou.
Voltei dessa fuga sem chão.

Aprendi que amor não se compra
o ouro traz a mulher,
mas ela vem fria, apenas porque você quer.
Se vende como um objeto e ninguém é contra.

Agora em mim tudo é gelado,
uma fuga mal feita
sendo que eu já tinha a mulher perfeita,
não precisava outra ter contratado.

A. Jr. Pereira

Vá, mas volte

Pare e respira, pense um pouco. O que te inspira?
É a negritude daqueles olhos escuros como um carvão?

São as voltas da cintura, daquela dama com quem se deita?
São os cabelos loiros, artifialmente tingidos?

Pare e pense, o que te faz pensar?
São as incontáveis noites em claro buscando uma fuga da sua realidade?

É o amor comprado de uma mulher que finge prazer?
São as doses de cachaça que queima sua garganta e esquenta seu peito?

Me fale a verdade, o que te faz mentir?
São as minhas constantes perguntas que sufocam você?

É a vontade de me possuir sem que haja a necessidade de um compromisso?
O medo da solidão em que sua vida promíscua resultará?

Esqueça minhas perguntas. Não fale nada para mim.
Saia mais uma vez e beba a noite e suas amarguras, mas não se esqueça de voltar.

Que aqui estarei esperando para mais uma vez ouvir seu lamento.
Para mais uma vez possuir teu corpo e lhe proporcionar o prazer que você tanto renega.

A. Jr. Pereira

Lavadeira

De longe ela vem, andar gingado
Bacia na cabeça
Anda ligeiro, passo apressado
É ela, a lavadeira.

Negra modelo,
Com quase trinta, parece menina
Ainda mais quando solta o cabelo
Os homens com ela não brinca.

Mulher valente, facão na cintura
Quem se mete com ela?
Ela parada parece pintura
Feita a mão, quase uma deusa, tão bela.

Na beira do rio parece sereia
Várias peças de roupa, sujas e limpas
Abaixada ela lava, e as põe numa esteira
Alguns saiões, vestidos e roupas íntimas.

Assisto de longe, não me aproximo
Não por medo, apenas respeito
Quando à vejo, fico como menino
Dá um frio na barriga, o coração aperta no peito.

Lá vai ela, andar ereto
De volta pra casa
Olhar fixo, pescoço reto
E eu queimando, feito brasa.

Lavadeira, quem dera fosse minha
Jamais lavaria uma roupa
Te fazia rainha
Mas minha condição é tão pouca.

Mulher de fibra, não aguentou um tapa
Quando o marido bateu
Ela arrancou-lhe a mão com a faca
Não demorou o desgraçado morreu.

Filha da deusa guerreira, Iansã
Mulher imprevisível
O juiz não a condenou, disse não ser sã
Se a justiça não fosse cega, Xangô a faria invisível.

Tudo que eu mais queria,
Fazer essa mulher ser minha
Por ela o que eu não faria?
Ter a honra de ser o marido da rainha.

Mas não posso me aproximar
Não é justo com ela
Eu não mereço fazê-la se apaixonar
Se não posso dar o mundo a ela.

Lavadeira, como eu queria
Fazê-la feliz como jamais foi
Lavadeira Maria
Quem me dera ouvir de ti apenas um oi.

Sou um pobre qualquer
Não tenho nada
E nunca a terei como mulher
Espero que não se sinta observada.

Te olho a anos, e nunca me viu
Me contento em te ver
E ouvir teu canto na beira do rio
Eu viveria mil vidas para te merecer.

Lavadeira, pobre rainha
De saia desbotada
E simples blusinha
Mulher de vento, furacão pela estrada.

Todos  olham, todos desejam
Mas teu olhar lhes mete medo
Eles disfarçam, para que não vejam
e miram o chão imóveis como um rochedo.

Lavadeira te admiro
Lamento suas infelicidades
Não vejo tristeza quando te miro
Porém vejo todas as qualidades.

A. Jr. Pereira

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