Vem me amar

Já que foi embora da minha vida
me sinto obrigado a arranca-la do peito.
Não chorei a tua partida,
mas não consegui te esquecer, não teve jeito.

Cansei de pensar em você,
nos bares afogo minha saudade.
Mas confesso que queria te ver,
não consigo controlar essa vontade.

Teu amor foi cruel,
uma armadilha pro meu coração.
Tu me levou ao céu
e lá de cima me jogou no chão.

Moça, porquê tamanha maldade?
Eu era um bom rapaz, inocente.
Agora tô aqui morrendo de saudade,
pensando nos seu beijo ardente.

Mulher igual tu, deveria ser presa.
Brinca demais com nosso sentimento,
se entrega de bandeja.
No final o seu amor só traz sofrimento.

Mas se tu quiser voltar eu aceito,
sou bobo demais pra viver sem amor.
Mesmo que seja um amor sem jeito,
só me ama mais uma vez, só pra passar essa dor.

Volta aqui pra minha cama,
deixa eu provar mais um pouquinho teu sabor.
Dessa vez nem precisa mentir que me ama,
quero somente me esquentar no teu calor.

Só uma noite por piedade,
tu sabe que me deixou louco.
Vem cá, moça. Mata minha vontade,
não me deixa aqui no fundo do poço.

Traz o doce amargo do teu mel,
mente pra mim de novo.
Pode me levar mais uma vez ao céu?
Eu nem ligo pro que diz o povo.

Quem passeou pelo teu corpo não esquece,
tô aqui naquele mesmo bar.
Só essa dor que ninguém merece,
vem, não se faz de difícil, vem pra gente se amar.

A. Jr. Pereira

Estrada tortuosa

Olhos nos olhos o espelho me diz que o tempo passou.
Sem perceber fiquei para trás, nos caminhos do tempo me perdi.

Numa estrada tortuosa caminho na escuridão do destino.
Flashes de luz que se acendem na memória tentam me mostrar o caminho.

Nessa tortuosa estrada escura, nunca amanhece.
A chuva cai quente como lágrimas que não consegui segurar.

Sou inundado com as lágrimas que eu nunca derramei.
Estou me sufocando com palavras não ditas ao longo do tempo.

Nessa estrada tortuosa sou perseguido pelos fantasmas do passado.
Nessa estrada do tempo eu já não sei mais o que fazer.

Perdido nas curvas da minha vida, esperando o alvorecer.
Procuro uma bússola para minha orientação.

Mas nessa estrada de noite eterna, ficarei.
Mesmo que eu deseje, o alvorecer não virá, meu destino é a escuridão.

A. Jr. Pereira

Fazendinha

Na fazendinha,
naquela velha árvore onde brincávamos
está nossas iniciais,
entalhadas por suas mãos pequenininhas.

Debaixo daquela árvore passávamos horas,
sempre brincando
e sonhando com um mundo distante,
o tão temível mundo lá fora.

Éramos duas crianças inocentes.
Não sabíamos nada da vida,
sempre juntos.
Nunca nos sentíamos carentes.

Os anos passaram
e o destino nos separou.
As risadas debaixo da árvore,
nossas conversas animadas, agora silenciaram.

Amizade de infância
é algo único, o tempo não apaga.
Jamais conseguimos outra igual,
não importa a circunstância.

Penso em ti,
será que realizou todos os seus sonhos?
Será que ainda se lembra de mim?
Será que ainda conseguiria te fazer rir?

Debaixo dessa árvore eu sei,
aqui passei os melhores momentos da minha vida.
Sorrindo de besteiras que só crianças faz,
agora sinto uma saudade como nunca imaginei.

Saudades de um tempo que não volta;
saudades das brincadeiras;
saudades das despreocupações;
saudades de você me esperando na porta.

A fazendinha continua igual,
sua letra infantil ainda está marcada na árvore,
mas agora está mais alto.
O tempo passa, agora vejo que é real.

O tempo nos tira a infância, a inocência,
mas deixa o pior: a saudade.
Não sei porque vim aqui, nostalgia não combina comigo.
Acho que foi um pouco de carência.

Uma breve vontade de voltar no tempo.
Viver de novo aquelas simples alegrias.
Ver de novo o lugar onde cresci
e reviver um pouco daqueles momentos.

Mesmo que seja só na memória,
já sinto que é suficiente.
Recarreguei as baterias
e continuarei traçando a minha história.   

A. Jr. Pereira

No que está pensando?

“No que está pensando?”
No que ei de pensar?
Na vida, na morte?
Nos meus sonhos se realizando?

Talvez eu devesse pensar no futuro,
nas crenças e religiões,
nas florestas, nos mares ou
se esse whisky é realmente puro.

Posso pensar na alegria;
na tristeza de perder;
na felicidade de ganhar;
Nas conversas em que eu sorria.

Posso estar pensando em mim.
Posso estar pensando nela.
Posso estar pensando em nada
ou, em arrumar aquela janela.

Penso em você,
nas perguntas que me faz,
nas coisas que me diz
e nas que ainda vai me dizer.

Posso pensar em voar.
Sumir, ir pra bem longe.
Morar numa floresta
ou numa casa a beira mar.

Talvez eu pense na morte,
em como serei enterrado.
Se meu caixão será de luxo ou simples
e se a vida posterior me trará mais sorte.

Na fome, na peste, na guerra.
Posso pensar em tantas coisas.
Porque pergunta uma especifica?
Quando se tem tantas coisas a se pensar na terra.

Posso pensar fora daqui,
um planeta próximo,
um mais distante
e se há vida ali.

E se o sol se apagar?
E se uma estrela cair?
E se tudo for ilusão?
E se a terra parar de girar?

Que pergunta idiota:
“No que está pensando?”
Como se tivesse só uma coisa a se pensar.
Talvez tu nem mereça resposta.

De tão idiota se torna uma pergunta complicada.
Olho em volta,
dou um sorriso e te respondo:
Não estou pensando em nada!

A. Jr. Pereira

Fuga

Nem amor, nem paixão;
nem desejo, nem carinho;
nem saudade ou solidão.

Estamos maquiando o que sentimos,
não nos desejamos mais
a cada beijo descobrimos.

Beijos frios, sem sabor.
Amor sem suor,
sem calor.

Em teu corpo minhas mãos desliza,
mas meu toque já não te arrepia
e quando ofereço algo a mais, diz que não precisa.

Não precisa mais do meu amor,
outro já passeia em suas voltas.
Ele já se esquenta em teu calor.

Não sinto nada quando penso em você,
a outra também já me entreguei
e ela sabe me satisfazer.

Mas por aparência mantemos a farsa.
O sagrado matrimônio não pode acabar
e quando alguém desconfia a gente disfarça.

Cristãos conservadores
carregamos esse fardo,
mas no fundo adoramos ser pecadores.

Você e seu amante,
eu e minha outra.
Aproveitamos cada instante.

O meu amor não serve pra você,
há muito percebemos a incompatibilidade,
então procurou outro para te satisfazer.

Eu tenho em casa a esposa perfeita.
Limpa, passa, cozinha e cuida das crianças
e na rua em outra cama faço uma mulher satisfeita.

Você me tem, o marido exemplar.
Pagos as contas, banco tudo e todos
e na rua em outra cama o outro faz você delirar.

Sejamos bons amigos,
o casamento é algo à parte
o importante e não sermos inimigos.

Não me importo com as suas traições,
não se importe com minha amante.
Cumpramos apenas nossas atribuições.

Marido e mulher,
exemplares como manda o figurino,
do jeitinho que nossa religião quer.

Vontade de chutar o balde,
jogar tudo pro alto para sermos felizes.
Pôr de vez um fim nessa fralde.

Fralde essa chamada casamento.
Que nos prendeu nessa vida,
uma vida de sofrimento.

Obrigados por um papel
a viver juntos até a morte,
por medo de não ir pro céu.

Sei que pensas como eu,
que no fundo também deseja fugir.
Estou deixando essa carta, pois pra mim já deu.

Assim será mais fácil,
ponha a culpa em mim.
Diga que eu fui o imbecil.

Agora seremos livres para amar de verdade,
fiz um favor a nós dois.
Agora teremos nossa sonhada liberdade.

Não, não finja que se importa,
no fundo você sabe:
de mim você não gosta.

Não voltarei para casa,
mas lhe pagarei a pensão
ou se preferir uma mesada.

Não se apresse em casar novamente,
aproveite a liberdade
ninguém desconfiará de uma mãe tão presente.

Viva o amor de sua vida
eu viverei o meu
e por favor, não chore minha partida.

Celebre sua liberdade,
beba um vinho
e faça amor com vontade.

Não se preocupe comigo,
aqui estarei fazendo o mesmo
e quando me lembrar, me lembre como um amigo.

A. Jr. Pereira

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